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THEOBALDO VAROLI FILHO Nº 2699

FILIADA AO GOSP      \      FEDERADO AO GOB

Fundada em 20 de Março de 1993  -  Rito Escocês Antigo e Aceito

Rua Guaimbé, 192 - Moóca  -   CEP 03118-030 - São Paulo - S.P.

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BRASIL – Três grandes nomes de nossa história

 

Introdução

A motivação deste pequeno trabalho surgiu ao perceber que me encontrava cansado de assistir a filmes, novelas, humorísticos e seriados nacionais que banalizam nossa cultura, que transformam nossas autoridades em fanfarrões, que desmoralizam o Poder Público e as autoridades, bem como destroem o pouco de auto-estima que resta ao povo brasileiro.

O revanchismo instalado em nossos atuais governantes cega-os para a grave crise moral que hoje agrava nossos problemas sociais, qual seja, nosso povo não conhece sua história e, portanto, não cultua e reverencia seus mais importantes ídolos, despreza homens de valor que construíram essa Nação, não respeita símbolos patrióticos.

Após a redemocratização do país, perdemos valores que cultuávamos quando crianças e que serviam para fortalecer os laços do povo com seu território e sua pátria, que tinham por finalidade formar uma verdadeira Nação, em seu sentido mais profundo: cantar o Hino Nacional nas escolas, respeitar os professores, aprender Educação Moral e Cívica, respeitar as autoridades, etc.

O objetivo deste trabalho é retratar, ainda que de forma bastante singela, grandes feitos de pessoas nobres de nosso passado político, que podem servir de exemplo para todos nós, de forma a mostrar que a democracia foi uma conquista importantíssima para nosso povo, mas que uma Nação livre e soberana deve primar pelo respeito e pela legalidade, que a honestidade e a justiça ainda são virtudes que devem ser cultivadas, que as pessoas são mais importantes que as coisas.

Enfim, o objetivo maior deste humilde trabalho é resgatar um pouco da alegria e do orgulho de ser brasileiro.

 

José Bonifácio

José Bonifácio de Andrada e Silva é por nós conhecido, desde a idade escolar, como o "Patriarca da Independência"; no entanto, o que praticamente ninguém sabe é que o mesmo foi um grande estudioso, cientista e político.

Nascido em 1763, na cidade de Santos/SP, filho da segunda mais rica família local, aos 16 anos veio para São Paulo a fim de estudar. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra (Portugal), estudando também, matemática, filosofia e mineralogia, além de ser fluente em latim, grego, francês, inglês e alemão. No período vivido na Europa tornou-se um adepto do Iluminismo. Passou quase cinqüenta anos a serviço do Governo Português em pesquisas mineralógicas e outros estudos, além de publicar seus ensaios em revistas científicas francesas e inglesas do século XVIII.

De retorno ao Brasil em 1819, ingressa na vida política do vice-reino, chegando a vice-governador da província de São Paulo, tendo sido nomeado Ministro do Reino e de Estrangeiros em janeiro de 1822, oportunidade que lhe serviu para atuar diretamente nos acontecimentos de 7 de setembro daquele ano.

Não pretendia, com seus ideais de libertação, o rompimento puro e simples com a Coroa Portuguesa, mas almejava uma independência onde se mantivessem laços de união com Portugal, sem abdicar da autonomia política e administrativa do Brasil. Nos dias que antecederam a independência, era o Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, o qual ajudara a fundar.

Homem de visão, já em 1823, quando dos estudos da Assembléia Constituinte para a promulgação da primeira Constituição do Brasil, após sua independência, propugnava pela libertação gradual dos negros escravos, pela cessação do tráfico negreiro e pela integração gradual do índio na cultura portuguesa (brasileira). Na verdade, propunha a integração das três raças, negros, índios e portugueses, para a formação de uma raça própria brasileira, com traços próprios, aproveitando-se o que havia de melhor em cada cultura.

Da exposição de motivos desse projeto de lei que visava à abolição da escravatura, destaco abaixo breve trecho no qual faz um alerta, na verdade, um vaticínio, sobre o destino das terras brasileiras, caso não fossem mais bem cuidadas e cultivadas:

"Nossas terras estão ermas, e as poucas, que temos roteado, são mal cultivadas, porque o são por braços indolentes e forçados; nossas numerosas minas, por falta de trabalhadores ativos e instruídos, estão desconhecidas, ou mal aproveitadas; nossas preciosas matas vão desaparecendo, vítimas do fogo e do machado destruidor da ignorância e do egoísmo; nossos montes e encostas vão se escalvando diariamente, e com o andar do tempo faltarão as chuvas fecundantes que favorecem a vegetação, e alimentem nossas fontes e rios, sem o que o nosso belo Brasil em menos de dois séculos ficará reduzido aos páramos e desertos áridos da Líbia. Virá então esse dia (dia terrível e fatal), em que a ultrajada natureza se ache vingada de tantos erros e crimes cometidos."

Seu relacionamento com D. Pedro I foi conturbado, devido às grandes ingerências políticas de que este era vulnerável. Em 1823, quando do fechamento da Assembléia Constituinte, foi preso e deportado por ordem do Imperador. No entanto, em 1831, o mesmo Imperador que o mandara prender e deportar, quando de sua abdicação do trono, nomeara-o tutor de seu filho, D. Pedro II, dado o elevado prestígio de que o Patriarca da Independência ainda dispunha junto ao Imperador.

 

Dom Pedro II

Dom Pedro II (1825 – 1891), foi o monarca do Brasil de 1840 a 1889. Modelo de correção, isenção, justiça, moralidade e filantropia, soube aproveitar muito bem a educação que lhe foi proporcionada por seu tutor, José Bonifácio.

Sua personalidade e seus ideais são evidenciados nas cartas que escrevia à sua filha, a Princesa Isabel, com recomendações a serem observadas durante o período em que assumiria a Regência do Império, por ocasião de suas viagens, aliás, viagens estas todas custeadas por seus próprios recursos pessoais!!! Dom Pedro II afirmava, em uma de suas cartas que “despesa inútil é um furto à Nação”.

Já naquela época idealizava modernizar a estrutura do Poder Judiciário, abolindo ou minimizando a prisão preventiva, estabelecendo punições às autoridades que abusassem de seu poder; defendia a criação de uma Guarda Nacional a ser acionada em casos extraordinários definidos em lei e por ato do Poder Legislativo; pretendia ainda uma reforma em todo o sistema eleitoral, sendo defensor das eleições diretas, entendendo, no entanto, que o povo sofria a influência deletéria da falta de suficiente educação para tal mister. Quão atuais eram seus ideais...

Defendia a liberdade de eleição e a liberdade de imprensa, pois entendia que, sem elas, na realidade não existia um sistema constitucional.

Era contrário às mudanças repetidas de Ministros, por serem prejudiciais à Nação.

Dom Pedro II não foi Maçom, mas era, certamente, um homem bastante à frente de seu tempo, extremamente culto e preparado para governar, tendo aprendido com José Bonifácio, seu gentil tutor, e com seu pai, Dom Pedro I, ambos Maçons, os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade que marcaram sua robusta passagem à frente do Império.

Apenas para bem retratar o caráter desse justo Imperador, transcrevo abaixo um pequeno trecho de uma das cartas endereçadas à sua filha, as quais foram reunidas e compiladas no livro intitulado “Conselhos à Regente”:

“Não posso admitir favor diferente de justiça; pois que a não ser injustiça é ignorância de justiça; a balança da justiça não se pode conservar tão ouro-fio que não penda mais para um lado. Também entendo que despesa inútil é furto à Nação, e só o Poder Legislativo é competente para decidir dessa utilidade. A nossa principal necessidade política é a liberdade de eleição; sem esta e a de imprensa na há sistema constitucional na realidade, e o ministério que transgride ou consente na transgressão deste princípio é o maior inimigo do Estado e da monarquia”.

 

Rui Barbosa

Estadista, escritor e jurista, Rui Barbosa nasceu em Salvador, Bahia, no dia 5 de novembro de 1849 e morreu em Petrópolis, Rio de Janeiro, no dia 1º de março de 1923. É um dos mais honrosos nomes de juristas bacharelados pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo.

Rui Barbosa estréia na imprensa em “A Independência”, jornal político e literário fundado por Joaquim Nabuco, Maçom, escritor, diplomata e líder abolicionista. Passa a colaborar em outros periódicos, entre eles “Imprensa Acadêmica” e, em março de 1869, propõe a criação do “Radical Paulistano”, órgão do Clube Radical que pregava medidas liberalizantes e democráticas, como a extinção do trabalho escravo.

Tribuno nato, em 1868 Rui homenageia José Bonifácio, que fora seu professor no terceiro ano, em banquete de solidariedade que foi oferecido ao deputado do Partido Liberal, substituído no poder pelo Partido Conservador. Orador inflamado, no ano seguinte discursa por três noites seguidas aos soldados que regressavam da Guerra do Paraguai, exortando-os a se engajar na cruzada pelo fim da escravidão. Rui Barbosa forma-se em 1870 e regressa ao seu estado natal.

Em 1878 foi eleito Deputado na Assembléia Provincial da Bahia, passando a ser Deputado Geral em 1879.

Veio então a República e Rui Barbosa escreveu o projeto da Carta Constitucional. Sendo dissolvido o Congresso por Deodoro, abandonou o cargo que ocupava, passando para a oposição.

Em 1893, viu-se envolvido na Revolução da Armada, em virtude da qual foi exilado. Esteve na Argentina, Lisboa, Paris e Londres. Regressando ao Brasil, foi eleito Senador pela Bahia, em 1895.

Rodrigues Alves, Presidente da República designou-o como representante do Brasil na II Conferência de Paz, em Haia. Demonstrando excepcional habilidade, cultura e inteligência, obteve impressionantes vitórias, o que lhe valeu o cognome "Águia de Haia".

De volta ao Brasil, candidatou-se à Presidência da República em oposição a Hermes da Fonseca, para quem perdeu as eleições; foi membro criador da Academia Brasileira de Letras, e por algum tempo seu presidente. Incontestavelmente, Rui Barbosa tornou-se campeão do liberalismo no Brasil. Seus restos mortais foram enterrados em Salvador, na Galeria Subterrânea do Palácio da Justiça (Fórum Rui Barbosa). Foi iniciado na Maçonaria, mas não chegou a galgar altos graus na Ordem.

Da imensa produção literária de Rui Barbosa, destacamos uma das melhores e menos conhecidas páginas de Rui Barbosa, onde ele examina, à luz do Direito Hebraico e do Direito Romano, o processo “judicial” de Jesus Cristo:

“O quadro da ruína moral daquele mundo parece condensar-se no espetáculo da sua justiça, degenerada, invadida pela política, joguete da multidão, escrava de César. Por seis julgamentos passou Cristo, três às mãos dos judeus, três às dos romanos, e em nenhum teve um juiz.

Aos olhos dos seus julgadores, refulgiu sucessivamente a inocência divina, e nenhum ousou estender-lhe a proteção da toga. Não há tribunais, que bastem, para abrigar o direito, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados.

 

Bibliografia:

1. Grandes nomes do pensamento brasileiro. José Bonifácio de Andrada e Silva - Projetos para o Brasil. Textos reunidos e comentados por Miriam Dolhnikoff. Publifolha. 2000, pág. 40/41;

2. José Bonifácio. Um Homem Além de seu Tempo. José Castellani. A Gazeta Maçônica, 1988;

3. Diário Oficial do Estado de São Paulo, Poder Legislativo, nº 186, de 1OUT04;

4. Site e-biografias (http://www.e-biografias.net/biografias/rui_barbosa.php);

5. Rui Barbosa – Justiça e Liberdade. Site Comemorativo dos 150 Anos do Nascimento (http://www.projetomemoria.art.br/RuiBarbosa).

6. Obras Seletas de Rui Barbosa, vol. VIII, Casa de Rui Barbosa, Rio, 1957, págs. 67-71.

 

 

FÁBIO SÉRGIO DO AMARAL

M.. M.. – CIM 208725