
RELAÇÃO ENTRE
DEPENDÊNCIA E PROBLEMAS ASSOCIADOS
AO USO DO ÁLCOOL
De uma forma ou de outra, em nossa sociedade, todos nós estamos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas. Muitos de nós bebemos em reuniões sociais, comemorações, "ágapes maçônicos", datas festivas, às refeições, ao sair da praia etc.
Mesmo os que são abstêmios possuem bebidas alcoólicas em casa "para as visitas" ou aceitam que se beba nas condições acima.
Será que todos que bebem são alcoólatras?

A figura acima nos mostra duas dimensões da questão do uso do álcool, ou seja, uma dimensão relacionada com os problemas psicológicos que levam a pessoa a beber (compensação de distúrbios de personalidade, depressão, ansiedade, alterações psicóticas), com o estabelecimento da DEPENDÊNCIA propriamente dita; outra dimensão enfocando uma série de PROBLEMAS decorrentes do uso e da dependência (nas áreas conjugal, profissional, policial, jurídica, na saúde física e psíquica etc.).
No eixo horizontal, teríamos a dimensão "dependência", com intensidade variando ao longo de um continuum.
No eixo vertical, teríamos a dimensão "problemas", também variando ao longo de um continuum.
No quadrante I, ponto A, teríamos aquelas situações nas quais, à medida em que a pessoa aumenta o seu grau de dependência, aumenta também a probabilidade de desenvolver uma série de problemas, por exemplo, profissionais, financeiros, domésticos etc.
No quadrante II, ponto B, teríamos aquelas condições em que, apesar de o indivíduo não ser dependente, ou ter baixos níveis de dependência, pode apresentar problemas muito sérios. É o caso da pessoa que bebe de forma inadequada, embriagando-se, e imediatamente, passa a dirigir um veículo, provocando grave acidente, ou envolve-se em provocações e brigas.
No quadrante III estariam as pessoas que não apresentam dependência e tampouco criam problemas ao beber ("beber social, normal, recreativo").
Por fim, a situação representada pelo quadrante IV, em que haveria dependência sem a ocorrência de problemas, é considerada inexistente, pois sempre a dependência leva a algum tipo de problema, ainda que seja somente físico (cirrose hepática, demência etc.).
Que fique claro que a transição do beber moderado, do quadrante III, para o beber problemático ocorre de forma lenta, insidiosa, gradual, levando muitos anos.
Algumas pistas para se detectar o beber problemático referem-se ao já citado no primeiro artigo desenvolvimento da tolerância, ou seja, a necessidade de beber doses cada vez maiores para se obter o mesmo efeito. Surge, também, o aumento da importância do álcool na vida da pessoa e ela tende a só participar de eventos nos quais seja servida alguma bebida. Há ainda a síndrome de abstinência igualmente citada.
Em síntese, apesar de sua ampla aceitação social, o consumo de bebidas alcoólicas pode se tornar um sério problema, porque se trata de uma substância psicotrópica, provocando mudança de comportamento em quem consome, além de ter potencial para desenvolver dependência.
O consumo, portanto, não pode ser imoderado, em virtude das questões médicas, psicológicas, profissionais, jurídicas e familiares que acarreta.
José Cássio Simões Vieira
Mestre Instalado da ARLS Theobaldo Varoli Filho