QUEIXAR-SE: UMA
CONDUTA TÓXICA
Podemos comentar com os
demais sobre os problemas que nos afligem, aqui e agora, e pedir
apoio e proteção para que nos sintamos bem. Isso é sadio, é
sermos abertos, comprometidos confiantes. Não precisamos usar de uma couraça
para ocultar nossas dificuldades.
Bem diferente, porém, é queixar-se,
lamuriar-se, o que traz implícita a mensagem “alguém é culpado do que
acontece comigo”. Esse alguém pode ser o próximo (cônjuge, amigo, filho,
empregado, patrão, seja lá a pessoa que for), o “sistema”, a vida, Deus, quem
estiver mais à mão, enfim.
É como se disséssemos
“Afinal, o outro está aí no mundo para ser o culpado de tudo o que vai mal
comigo”; “se não fosse por você, eu estaria bem...”
Essa atitude é tanto mais
tóxica quanto mais alguém se queixa de situações que ninguém pode fazer nada
para modificá-las, ou que, de per si, são imutáveis. Há quem se queixe até de
que o gelo é muito frio, ou que não se conforma com que 2 + 2 sejam 4.
Com isso, as pessoas se
põem como vítimas, buscando algumas pseudo-vantagens
dessa posição (lástima, fuga às responsabilidades, não cumprimento de suas
tarefas etc.).
Um triunfador não faz tal
papel. Em vez de se queixar, atua para melhorar as coisas, de forma criativa e
real. Ele é o senhor de seu destino, negativo e positivo; é o comandante de sua
vida de “pecador e de justo”. Fabrum esse quemque fortunae, cada um é o
artífice de sua própria sorte.
O PROBLEMA DA
FELICIDADE HUMANA
Toda pessoa que não realizou
suas potencialidades tem a tendência de se queixar, de uma forma ou de outra. É
uma conduta sintomática.
Para quem encara a
felicidade de um modo absoluto, consistindo na satisfação imediata de todos os
caprichos momentâneos, a frustração é inevitável e queixar-se será o esperado.
Age como a criança, dirigindo-se à busca do prazer imediato. Usa o “pensamento
mágico”; não tolera a espera, a postergação nem a frustração.
O mesmo não se dá, porém,
com a pessoa que atingiu a maturidade adulta, que planeja o
futuro aqui e agora, valendo-se do passado como experiência – e
não como justificativa de seus fracassos – e estabelece suas metas com critério
realista.
Os ensinamentos maçônicos nos ajudam encarar a existência em seu
conjunto e complexidade, como resultante da natureza do mundo e do próprio
homem, de forma racional, sem expectativas mágicas ou falsas crenças.
A felicidade estando,
sobretudo, em nós mesmos e dependendo, muito mais, de nossa personalidade e
visão-de-mundo do que da “sorte”, ocorre sempre que condicionarmos nossos
desejos às situações reais, visto ser impossível
eliminarem-se as leis naturais que as regem. Daí, não haver do que se queixar.
Não podemos fazer depender
nossa felicidade de algo que não dependa de nós. Igualmente, sabemos que não
podemos ser “felizes” o tempo todo e que a felicidade é, antes de tudo, um
estilo de vida, uma posição existencial.
Isso, logicamente, não
significa fazer o “jogo do contente”, rindo-se para tragar a própria dor. Tal conformismo
mórbido é
completamente distinto da conformação à realidade.
A conclusão, repassada de
relativismo, do primeiro soneto de Poemas e Canções de Vicente de Carvalho, é
um maravilhoso resumo do tema exposto:
“Essa felicidade que
supomos,
A árvore milagrosa que
sonhamos,
Toda arreada de dourados
pomos,
Existe, sim, mas nós não a
alcançamos
Porque está sempre apenas
onde a pomos
E nunca a pomos onde nós
estamos.”
José Cássio Simões Vieira
Mestre Instalado da ARLS Theobaldo
Varoli Filho