ORDEM E PROGRESSO

 

O lema de nossa bandeira, inspirado no Positivismo de Augusto Comte, oferece-nos importante lição de dinâmica social. O progresso e a ordem, longe de serem incompatíveis, podem e devem se harmonizar.

De fato, o progresso é o desenvolvimento da ordem correspondente, assim como a ordem é a consolidação do progresso. Portanto, não podemos romper subitamente os laços com o passado, como fazem alguns "reformadores progressistas", em nome do modernismo. Toda reforma, para frutificar, deve tirar seus elementos do próprio estado de coisas a ser modificado.

Conservar melhorando é a expressão sociológica que traduz o aforismo natura non facit saltus (a natureza não dá saltos), atribuído a Leibnitz.

Por outro lado, na própria natureza, tudo se acha em perpétuo movimento: nada é estático e tudo muda com o tempo; sempre algo está emergindo e se desenrolando e algo sempre está se desintegrando e declinando. Igualmente, em nível histórico-cultural, a interação entre o novo e o velho, o moderno e o antigo, é parte do movimento normal dos fatos e acontecimentos.

Nossa Ordem Maçônica, em sua faceta especulativa, nunca esteve alheia a tal situação, tanto que uma de suas características institucionais é a de ser progressista.

Entendamos, porém, que o progredir maçônico pressupõe evolução do sistema geral de concepções sobre o mundo e o homem e não revolução, no sentido de destruição ou transformação radical de uma estrutura ou valor.

Qualquer progresso feito por nós, em termos doutrinários ou filosóficos, estará sempre ligando o presente ao passado e ao futuro, considerando a continuidade dos homens no tempo e a solidariedade entre eles no espaço.

Muitos profanos, sem conhecer nossa posição, nos acoimam de "tradicionalistas" ou retrógrados, porque nos apoiamos nas tradições e nas conquistas culturais do passado. Isso, verdadeiramente, ocorre, uma vez que a tradição representa para a sociedade uma escada, através da qual o homem se ergue para buscar algo mais alto. No entanto, somos nós mesmos quem achamos que se essa escada se torna um fardo que nos impeça de subir, superou sua utilidade.

A conformidade rigorosa a essa escada sem utilidade raramente contribui para o progresso. Mas, antes temos de nos perguntar se determinada mudança, dentro dos "modismos", é realmente um progresso.

A Maçonaria, continuamente, busca a Verdade. Só pode fazê-lo, no entanto, a partir de um sistema filosófico eminentemente dinâmico. Assim, tudo quanto se fez ou vier a fazer-se com critério científico, com base moral, deve a ela ser incorporado, modificando-a naquilo que estivar em desacordo com as novas aquisições da ciência e da cultura de um modo geral.

Portanto, a Maçonaria está em constante evolução, sempre se adaptando à situação sócio-cultural em que vivemos, ou seja, adequando a cada momento histórico a sua metodologia de transmissão de seus mistérios e ensinamentos, zelosamente conservando seus tradicionais princípios basilares, quer dizer, os valores conquistados no passado e que se mostram indispensáveis para o crescimento moral e espiritual do homem.

Não há progresso sem ordem!

 

José Cássio Simões Vieira

Mestre Instalado da ARLS Theobaldo Varoli Filho