MATURIDADE ADULTA
Atingir a maturidade adulta deve ser uma de nossas metas obrigatórias.
A seguir, cito algumas atitudes que caracterizam tal maturidade:
Capacidade para controlar racional e adequadamente o comportamento, harmonizando os impulsos, necessidades e emoções às exigências sócio-culturais, dirigindo-nos por uma filosofia de vida que valorize o homem e o universo e confira uma razão de ser à nossa existência.
Possibilidade de apreender o mundo com uma visão objetiva, sem deformá-lo por uma subjetividade projetiva. Contato realista, compreendendo o mundo tal como é e não segundo nossas "fantasias". "As construções subjetivas devem ser subordinadas aos dados da ordem objetiva".
Capacidade de dar respostas adequadas e proporcionais aos estímulos.
Capacidade de amar, transcendendo o próprio ego. Tal condição depende muito da auto-estima e da autovalorização, permitindo que a pessoa renuncie a algumas de suas necessidades individuais em prol de outras pessoas.
Capacidade para compreender e aceitar o outro, mesmo quando diferente de si próprio, sem abandonar suas próprias crenças e valores. A pessoa que atingiu a maturidade adulta aceita, realisticamente, a diversidade dos demais e a individualidade de cada um.
Capacidade de suportar as inevitáveis frustrações que nos traz a vida, através da conformação à realidade. Não se trata de "conformismo", de quem se coloca como "vítima" ou "herói sofredor" ou faz o "jogo do contente", rindo-se para tragar a própria dor.
Autonomia e não dependência passiva dos demais. Autoconfiança, sem pretensões ou arrogância. Humildade, sem humilhar-se ou desqualificar-se. Capacidade de assumir riscos de forma calculada, em função das alternativas que se lhe oferecem.
Senso de responsabilidade, oriundo da transformação das regras aprendidas em autodisciplina e consideração pelos demais. Capacidade de assumir compromissos e responder por eles; de vencer obstáculos, não recuando ante a luta, dentro dos limites da realidade.
Saber lidar com o sexo, a partir dos seguintes princípios:
a) educação, em vez de proibição;
b) prática digna, em vez de abstinência imposta ou "angelismo";
c) controle, em vez de liberação instintiva e promiscuidade;
e) responsabilidade, em vez de indisciplina ou leviandade.
Sociabilidade. Integração harmônica no ambiente grupal, comunitário ou social. Cooperação em vista do bem comum, pondo de lado o individualismo.
Capacidade de compartilhar emoções, sensações e idéias, em uma relação de mútua confiança, sem falsidades ou tentativa de aparentar o que não se é.
Perseverança no trabalho ou na execução das atividades. Bom ajustamento profissional, com realização das próprias potencialidades.
Capacidade para prever, planejar e organizar-se; para enfrentar situações novas; para progredir e evoluir. Capacidade de desenvolver novas atividades desejáveis, gratificantes, criativas e agradáveis. Capacidade de desfrute, vivenciando os sucessos com alegria e não com culpa.
Comprometimento e participação, de modo livre, construtivo e responsável com o progresso sócio-político e econômico da Nação, dentro de suas possibilidades. Engajamento na História, respondendo pela Humanidade em evolução, na conquista de um mundo solidário e fraternal.
Generosidade para consigo e para com os demais, atraindo a afetuosidade das pessoas. Ao contrário do homem imaturo, que à medida de seu envelhecer torna-se mais mesquinho, ranzinza e desconfiado, temendo a solidão e o abandono, quem atingiu a maturidade adulta, cada vez mais se mostra cheio de afabilidade, doçura, serenidade e ternura em seus contatos interpessoais.
Reconhecimento de que a dor, as dificuldades, as tribulações e vicissitudes da existência tornam as pessoas mais compreensivas e evoluídas, em vez de revoltadas.
Relacionamento com um TODO MAIOR (Deus, ou o nome que se lhe dê) em busca da evolução dos valores éticos e morais, de uma reforma íntima, e não como busca de uma solução mágica para seus problemas.
Respeito a todas as crenças religiosas, porque as sabe necessárias, para cada um, na busca da melhor compreensão dos mistérios de Deus e dos desígnios da Providência Divina. Capacidade de intuir um Poder Supremo em todas as coisas do Universo, independente do credo confessional a que se volte.
Capacidade de gozar os prazeres da vida com moderação, isto é, de usar o mundo como instrumento para a satisfação de suas necessidades, sem lesar a si ou aos demais, sem ab-usar do mundo ou rec-usar o que ele oferece de sadio.
Respeito ao próprio corpo, como veículo para sua evolução superior, em vez de maltratá-lo ou idolatrá-lo.
José Cássio Simões Vieira
Mestre Instalado da ARLS Theobaldo Varoli Filho.