MAÇONARIA E FILOSOFIA
Dentre os vários atributos pelos quais se define a Maçonaria, destaca-se seu aspecto eminentemente filosófico.
Para muitos que se iniciam na senda do conhecimento maçônico, a filosofia é algo abstrato, sem utilidade prática alguma, dirigida a quem não tem o que fazer, não deu nada na vida ou não sabe ganhar dinheiro. Quando muito, é mero passatempo, nas horas de ócio, lazer ou devaneio.
Primum vivere, deinde philosophari ( primeiro viver, depois filosofar), zombavam os antigos daqueles que não são capazes de conquistar os meios de subsitência, entregando-se apenas a especulações filosóficas.
Que é filosofia?
Sempre procurou o homem, atendendo a contínuo e espontâneo impulso, conhecer-se a si mesmo ao mundo em que vive.
Na Grécia antiga, chamou-se de sofia ou ciência da sabedoria aos conhecimentos adquiridos nesses campos de pesquisa. Aos que se voltavam, especificamente, a reunir tal sabedoria, deu-se o nome de sofoì, isto é, sábios.
Um dos grandes sofoì ou sábios da época era Pitágoras. Não quis ele, no entanto, aceitar tal denominação, cuidando que só à Divindade poderia ela ser dada. Modestamente, não se colocou na condição de sofos ou sábio, mas de um filo sofos, ou seja, um amigo da sabedoria.
Cunhada, dessa forma, por Pitágoras, no século VI a C, passou, desde então, a palavra filosofia de designar "um conjunto concatenado de concepções gerais sobre o mundo e o homem".
Com Sócrates e seu "Conhece-te a ti mesmo", a Filosofia foi tomando rumos mais antropocêntricos, isto é, visando ao conhecimento do Homem, "medida universal de todas as coisas" (Protágoras), do que cosmocêntricos, ou seja, do conhecimento da origem do Mundo e da natureza das coisas materiais.
Qual a utilidade da Filosofia para o Maçom?
Muito útil, sem dúvida, será que o Maçom disponha de uma formação filosófica, não só a haurida nos graus filosóficos, mas, principalmente, aquela que puder buscar por contra própria, nas fontes respectivas.
Não que se exija dele, naturalmente, um conhecimento filosófico acadêmico, profundo e sistemático, o que, por si só, implicaria uma formação universitária à parte. Igualmente, não se requer do Obreiro a filiação doutrinária a esta ou àquela corrente filosófica.
O que se faz mister é que desenvolvamos o livre exercício de uma reflexão crítica, bem elaborada filosoficamente, para que possamos nortear, coordenar, correlacionar e valorizar os ensinamentos que vamos recebendo ao longo de nossa caminhada e aplicá-los, adequadamente, ao nosso crescimento pessoal e às relevantes funções sociais a que nos dispomos cumprir, pelo estabelecimento de uma Moral científica e de uma Fé raciocinada.
Em outras palavras, espera-se que o Maçom desenvolva um "filosofar" que lhe permita, não saber qual o sexo dos anjos, mas o esclarecimento dos problemas com que se defronta em sua realidade concreta, no dia- a- dia.
Através da Filosofia, pode o Maçom aumentar sua sabedoria de vida, desenvolver seu altruísmo e encontrar mais felicidade, encarando os problemas da existência em seu conjunto e complexidade, como resultantes da natureza do Mundo e do próprio Homem. Encontrando um alicerce para a realização de seus valores, uma norma de vida, um caminho seguro para pensar e agir, saberá condicionar seus desejos às situações reais e não a seus caprichos momentâneos, visto ser impossível eliminarem-se as leis naturais que regem a Existência.
Daí poder, com mais segurança, assumir sua condição de existente, tomando a iniciativa de descobrir o sentido de sua própria vida e orientar suas ações dentro de ampla faixa de opções, sendo responsável por tudo aquilo que escolha ou faça.
Como diz Einstein, no seu livro "Aus meinen spaeten Jahren" (citado por Huberto Rohden), "A ciência descobre os fatos objetivos da natureza, mas a Filosofia realiza os valores subjetivos dentro do homem".
Por isso, a Filosofia é a sabedoria a serviço de nossa própria vida. Fiquemos abertos a ela, pelo menos em nossas sessões!
José Cássio Simões Vieira
Mestre Instalado da ARLS Theobaldo Varoli Filho.