MAÇONARIA: A LUZ QUE VEM DO ORIENTE
O método maçônico de instrução simbólica visa a levar o obreiro, já nos seus primeiros passos como Aprendiz, a buscar "A Luz que vem do Oriente".
Embora o Oriente, enquanto região geográfica, denote o nascimento do Sol e, do ponto de vista de suas características histórico-culturais, indique um grau notável de desenvolvimento da espiritualidade, empregamos aqui o termo em sentido alegórico.
De fato, referimo-nos a um estado de espírito, a uma condição interior, sendo a Luz nada mais do que a Iluminação da consciência, da percepção de um Todo Maior, de algo que nos dê uma razão de ser, um sentido de vida mais vasto e mais profundo do que o mero fato de estarmos vivos.
Os grandes Mestres da tradição judaico-cristã, cuja sabedora nossa Ordem incorporou a seu sistema filosófico, falavam que no âmago do homem existe uma "luz", um "tesouro oculto", uma "perola preciosa", o "Reino de Deus", o "Pai", que são imanentes a seu SER.
Outras civilizações fazem afirmações semelhantes: "Tu trazes em ti um amigo sublime que não conheces", como expresso nos Vedas "Vós viveis em armazéns cheios de riquezas e morreis de fome à porta", retrata a cultura persa.
O homem deve procurar no seu externo AGIR valer-se da essência divina que permeia seu interno SER, seu EU espiritual, como lhe chama a filosofia.
O autoconhecimento é o primeiro passo para a consciência subjetiva da existência da Luz e para o desejo de recebê-la. Não é por outro motivo que os filósofos gregos gravaram no frontispício do templo de Delfos as palavras Gnôthi seautón, conhece-te a ti mesmo. Igual teor tem as palavras do Cristo, quando diz: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". E, mesmo nós outros, quando espontaneamente nos perguntamos "Quem sou eu?", buscamos a visão intuitiva de nossa realidade central, das energias ocultas em nós pelas trevas do mundo profano.
A Maçonaria, em seu ideal de construção do Templo de Salomão, simbolicamente, estimula-nos a tomar consciência do "Templo de Deus em nós", a entrarmos em comunhão com o "Pai que habita em nós", qualquer que seja nosso credo confessional, pois não é uma religião, mas conta com nossa religiosidade. Construindo um "templo interno", um santuário divino que abrigue nosso EU espiritual, não profanaremos nosso SER pelo modo de agir de nosso ego material, mental e emocional.
Nossa Ordem, igualmente, através de seus símbolos e alegorias, nos ensina a ter profundo respeito a esse templo interno, numa atitude de auto-reverência ao sacrário de nossa alma.
Se nos for dado, com perseverança e dedicação, atingir esse autoconhecimento e essa auto-reverência, estaremos bem instrumentados para combater, não só nossas próprias paixões, como também para exercer nossas funções sociais, pelo que nos reunimos em Loja, nos combates aos grandes inimigos da Humanidade, haja vista a hipocrisia, a perfídia, o erro, o fanatismo, a ambição, a corrupção, a ignorância e muitos outros.
Ex Oriente Lux!
A Luz que vem do Oriente, portanto, é o alvorecer de um novo dia, no qual nosso modo de pensar, sentir e agir torna-se iluminado por um estado de consciência tal, que passamos a encarar a vida de um ponto de vista mais sublime. Vivendo com a presença de Deus em nosso coração, sabemos melhor do sentido de nosso AGIR, em função de nossas escolhas de vida, clarificando, a cada dia que passa, nossa transformação moral.
José Cássio Simões Vieira
Mestre Instalado da ARLS Theobaldo Varoli Filho.