IDÉIAS ERRÔNEAS SOBRE A MAÇONARIA

 

Cresce dia a dia o número de publicações a respeito dos princípios básicos da Maçonaria, de sua história e de seus objetivos morais e sociais. Todas elas estão à disposição dos profanos, sendo encontradas nas principais livrarias da praça, mesmo que não especializadas no ramo.

Tais livros não divulgam, como é natural, o lado hermético, esotérico, da Sublime Instituição. Mas, nem por isso deixam de transmitir ao público informações muito úteis, para que se desfaçam umas tantas idéias errôneas sobre a Ordem.

Não obstante todos os esclarecimentos, reina ainda na cabeça de muitas pessoas a fantasia de que somos uma "sociedade secreta", com conotações mafiosas, proporcionando a seus membros não só vantagens materiais, como o acobertamento de toda sorte de delitos que possam cometer. Talvez, essa idéia decorra de uma distorção do significado do espírito de solidariedade que deve permear o relacionamento entre Irmãos.

A solidariedade maçônica não consiste em se acobertar as más ações dor Irmãos, que ferindo os códigos legais ou morais, desviando-se dos caminhos da honra, desgarram-se de seus deveres perante a Família, a Pátria e a Humanidade.

Somos solidários com nossos Irmãos, sim, até por força de juramento. Contudo, tal atitude maçônica não é um "corporativismo" e não vai além de uma causa nobre e justa, seja no sentido social, seja em relação aos que, embora praticando o Bem, sofrem os infortúnios da vida, as agruras da desgraça ou da adversidade. Basta que tenhamos em mente, dentre tantas ações solidárias, o chamado Tronco de Beneficência.

 

A violação do espírito fraternal

Por outro lado, não estaremos ferindo os princípios maçônicos da solidariedade, repudiando quem, por sua conduta, torne-se indigno de ser considerado "homem livre e de bons costumes". Na verdade, foi tal Irmão – e não nós – quem violou o espírito fraternal que nos congregava e solidarizava.

Seria conivência darmos apoio ou amparo incondicional a uma pessoa em tais condições, pois o Maçom que se mostra desonesto não é mais Irmão e abdicou de sua prerrogativa de nosso suporte moral ou proteção material.

É evidente que tentaremos todos os meios lícitos e pedagógicos, sem retaliações ou execrações, para reintegrar esse Irmão às suas funções sociais, sem prejuízo das sanções morais ou penais a que esteja sujeito.

 

O "protecionismo" maçônico

Outra idéia errônea é a de que o Maçom, protegido pela Instituição, tem portas abertas em todos os cantos, através das quais galgará posições de destaque na sociedade, abocanhando os melhores cargos e empregos, passando por cima dos méritos alheios.

De fato, há maçons que são guindados a altos escalões no mundo profano, assumindo posições de inestimável relevância social, detentores de poderes e responsabilidades consideráveis.

Basta ler-se a história das nações, inclusive a História do Brasil, para ver os nomes de homens ilustres filiados à Maçonaria.

Seria um "protecionismo" auspiciado pela Ordem?

O que ocorre é, justamente, o contrário. Ao ingressar na Sublime Instituição, passa o profano por rigorosa sindicância, nas quais são avaliadas suas qualidades morais, afetivas, intelectuais e práticas. Em conseqüência, são recrutadas do meio social pessoas de grande potencial humano, de dotes de personalidade bastante diferenciados, que se sobressaem por seus méritos em quaisquer circunstâncias, sendo Maçons ou não. A ascensão social delas, portanto, dá-se como resultado natural daquilo que são e não porque alguém foi injustamente preterido para se beneficiar um Irmão.

 

A vantagem de se ser Maçom

Engana-se quem pretenda se filiar à Maçonaria para obter vantagens pessoais, principalmente materiais e, ainda mais, escusas.

O que se obtém sendo Maçom é a oportunidade de freqüentar uma escola de aperfeiçoamento moral e intelectual; de desfrutar do convívio com Irmãos que têm muito a nos dar nesses termos; de sentir o real significado dessa vivência chamada Fraternidade; de saber-se acolhido em qualquer lugar do mundo por todos os obreiros da Arte Real. E, principalmente, por ter a alegria íntima de contribuir, anonimamente, mesmo em proporção infinitesimal, para o bem estar físico, psíquico e social do ser humano. A inefável alegria de saber que temos o ensejo de deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos antes, só porque trabalhamos contra situações que conduzam a qualquer forma de sofrimento material e espiritual.

 

O "elitismo" da Instituição

Pelo exposto, muitos, pejorativamente, podem nos chamar de "elitistas".

Se por elitismo entendermos que vamos buscar no meio social pessoas com um nível intelectual suficiente para captar os ensinamentos filosóficos da Ordem; que sejam conscientes de seus deveres para com Deus, a Humanidade, a Pátria, a Família e para consigo mesmas; que sejam capazes, de forma honesta, de prover os meios materiais para uma digna subsistêcia; que tenham poder de decisão sobre suas vidas; autonomia para pensar e agir conforme suas crenças e valores, traçando seus próprios caminhos; que creiam na existência de um Todo Maior, de um Poder Supremo; se, enfim, por isso tudo entendermos "elitismo", então, de fato, somos elitistas.

 

Os Maçons são o exemplo vivo da honestidade

Se, de um lado, existe o perigo de uma supergeneralização dos aspectos negativos de uma instituição ("todos os políticos são corruptos", "todos os policiais são traficantes" etc), também as supergeneralizações positivas são falsas e conduzem à desilusão, quando se comprova o contrário.

Assim, não vamos ter a idéia errônea de que todos os Maçons sejam o supra-sumo da virtude.

Se nossa Ordem busca a perfeição, infelizmente, como parte da própria natureza humana, os homens que a compõem não são perfeitos.

Sendo uma amostra representativa do meio social, de onde somos recrutados, é evidente encontrar pessoas, que no frigir dos ovos, não correspondem aos ideais da Ordem.

Apesar do rigor das sindicâncias, do mesmo modo como nas provas de seleção ao ingresso a qualquer instituição no meio profano, às vezes é falha a escolha de alguns candidatos. Aliás, só o convívio diuturno com alguém é que nos permite serem revelados seus traços de personalidade, o que escapa às limitações das entrevistas e investigações do período de sindicância. Para se fazer uma imagem, mesmo que grosseira, é como se fosse uma rede de arrastão, lançada da praia ao mar. Podemos colher bons peixes, que é o que se espera. Mas, de permeio, também detritos, tocos, latas de cerveja, camisinhas etc.

Maus elementos, lamentavelmente, têm se infiltrado na Ordem.

A legislação maçônica, no entanto, fornece meio de escoimar o vinho das fezes, devendo ser aplicada sem a menor hesitação e com o maior denodo, pois, em nome de uma solidariedade, aí sim, podemos nos tornar um bando de mafiosos.

 

José Cássio Simões Vieira

Mestre Instalado da ARLS Theobaldo Varoli Filho